terça-feira, 31 de março de 2020

Mike

Ontem minha mãe me ligou, perguntou como eu estava e eu falei que estou chatinha, ela me interrompeu para falar que também está e começou e reclamar, enquanto eu não falei mais nada até o fim da ligação. Hoje ela ligou reclamando que eu não falo com ela e eu disse que tudo o que tenho para dizer é reclamar que estou chatinha e ela perguntou o que tenho. Reclamei de estar dormindo mal e fui enumerando os motivos, como dor no corpo, e citei o fato do Mike dormir em cima de mim. Ela interrompeu para dizer que passou da hora do Mike sair da minha cama e perguntou o que eu vou fazer quando ele começar a arranhar o bebê. Eu disse que a cama é dele e que o bebê deve ficar no berço, que eu não vou tirar o gato do lugar dele. Claro que ela achou ruim. Mas a pessoa é muito sem noção. Eu estou dizendo que não estou bem e a pessoa escolhe justo esse momento para me dar bronca e menosprezar o gato que está comigo justamente quando estou carente. As pessoas acham que animal só deve ser amado enquanto não incomodam, enquanto cabem na casa, enquanto não tem um bebê, enquanto o dono não se muda. Depois ele deve ser posto pra fora, deixado pra trás, sozinho, abandonado, desprezado. O meu gato dormirá comigo até minha filha ter uns 10 anos. E, por mais que eu a ame mais, ele veio primeiro e não merece ser deixado de lado, pois ele também tem sentimentos e faz parte da família, então deve ser amado de acordo.
Se alguém tem opinião diferente, eu posso até aceitar, o que não significa concordar ou acatar, mas nem a aceitação será possível em um momento de enjôo e dor, que é o pior momento para me irritar.
Minha mãe não é a primeira a fazer isso. Ouvi de uma pessoa que tem duas crianças pequenas e foi muito julgada quando arrumou um Pitt Bull, perguntando como eu vou dar fim no gato quando o bebê nascer.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Sonho com a Kelly

Acabei de acordar.
E acordei de um sonho. Queria estar dormindo ainda e continuar com ela. Não sei há quanto tempo não sonhava com ela.
Uma pessoa veio matar a saudade. Ou dar mais saudade ainda. Uma das pessoas que mais amei na vida. No sonho, eu voltei para uma das épocas em que fui mais feliz, mas eu tinha consciência de estar no passado.
Uma noite, depois da aula, eu estava chorando e me sentindo uma louca. Contei a um professor e ele me falou para contar para ela.
Ela estava subindo o morro. Sonho esquisito, pois ela usava, no rabo de cavalo, um adereço de tranças. Nem rabo de cavalo ela usava na verdade, kkkk. Única coisa que não pareceu extremamente real.
Então eu a chamei do grupinho. Estava a Keila, a Bruna e a Jurema.
Ela ficou pra trás comigo e eu comecei a chorar e disse que o que eu tinha para contar era loucura e que ia mudar a vida dela. Disse que sempre orei para que o tempo voltasse e achava que Deus tinha atendido quando, num belo dia, ela veio me chamar em casa para irmos juntas fazer nossa matrícula do ensino médio.
Parecia tão real. Em momento algum eu pensei na possibilidade de ser só um sonho, mesmo tudo isso sendo impossível.
Eu disse que vivia em outra época, mais pra frente, e que tinha muita saudade dela. Ela me perguntava por que a gente não se via e eu contava que o Senhor a recolheu.
E ela parecia entender e aceitar tudo perfeitamente.
Os dias se passaram e a vida seguia. Contei para ela sobre o agora. E é por isso que estou escrevendo aqui. Dentre coisas como o Josué ter ido embora, se casado e recentemente se tornado pai, falei da Eloá. No sonho eu mostrava até um ultrassom. E pensava que o nome dela poderia ser Kelly. Nunca aceitariam esse nome, e me lembro até de ter pensado nisso no sonho, mas seria uma linda homenagem a alguém que, mesmo quase 11 anos depois, veio me deixar feliz e participar da minha gestação, mesmo que fosse apenas em sonho.

terça-feira, 10 de março de 2020

Sintomas que não batem

É claro que a gente sabe que cada gestação é única. Até a mesma mãe pode ter sintomas diferentes em cada gravidez.

Tenho observado as informações padronizadas sobre o que deveria acontecer com o meu corpo. O que mais me chama a atenção é em relação aos seios. Toda matéria a respeito afirma categoricamente que os seios ficam sensíveis. E eu não tive isso até agora.

Prisão de ventre também parece algo comum. E eu tenho justamente o oposto.

A azia, segundo a lenda, tem relação com a quantidade de cabelo do bebê. Bom, meu bebê só tinha coração e cabeça quando eu estava surtando pela azia. Certeza que ele não tinha cabelo e acho que ainda nem tem.

Não sei exatamente como é enjôo de grávida. Sei que tenho um negócio, um mal estar no estômago, tontura e ânsia, mas não sei se é enjôo como costumam ter. Claro que, para simplificar, também dou esse nome, mas nem sei o que sinto.

Li uma matéria falando sobre a estatística de depressão durante a gestação. Os números são maiores quando a mãe passou por tratamento de fertilização ou tem histórico de depressão, ansiedade ou outras doenças psíquicas. Bom, seguindo esse raciocínio, tenho grande probabilidade, já que me encaixo nos dois casos. Mas não chego nem perto de ter qualquer sintoma. Claro que não pararei com a sertralina a não ser que a psiquiatra retire. Independente disso, não creio que eu entre para as estatísticas.

domingo, 8 de março de 2020

Susto

Eu imagino que pelos próximos 50 anos terei muitos sustos com meu filho ou filha. Mas nesse momento, o que vem a cabeça é o primeiro. Devo esquecer dele logo, substituindo por outros. Quer dizer, gostaria que não, mas sei que não é possível.

Eu fiquei com medo de prejudicar meu bebê, ou coisa pior. A dor não era tão grande quanto o desespero. Sentir que eu poderia ser obrigada a acordar desse sonho lindo que estou vivendo.

Foi só um susto, uma bobeira, um exagero. As minhas amigas falaram que serei uma boa mãe, zelosa, e que eu não devo mais me sacrificar pelos alunos, arriscando minha saúde e do meu bebê.

Sei que elas estão certas. Mas esse sacrifício faz parte do amor. Muitos deles não têm uma mãe zelosa com quem contar, não têm um abraço amoroso e protetor. E nos meus braços eles ainda cabem. Que tipo de mãe eu poderia ser se virasse as costas para essas pessoinhas desamparadas??? É claro que tenho que aprender o limite, mas não vou abandona-los, porque isso faz parte de mim e é o que realmente me faz feliz. E eu quero que meu filho saiba que a mãe dele é o tipo de pessoa que se sacrifica por amor a pessoas que nem sempre sabem o quanto merecem ser amadas. Desde que eu não o prejudique e nem tome mais nenhum susto, vou continuar oferecendo o meu melhor.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Mudanças

Sempre fiquei imaginando qual a sensação de estar grávida.

Dependendo do ponto de vista, nada mudou. Mas meu corpo é diferente e tenho reações que eu não esperava.

Nas primeiras semanas, achei que fosse surtar com a azia. Sinto falta dela, kkkkk. Depois que a azia passou, comecei a ter dificuldade com alimentação no geral. Como e fico estufada sempre. Coisa doce, então!!!! Eu fico louca com o açaí, que eu amo tanto e parece que meu corpo demora séculos para digerir. Diminuí a quantidade, mas continua me deixando empapuçada.

Um dia, após comer panqueca, passei tão mal que até chorei. Ânsia, mas não consigo vomitar e a sensação é de que a comida não cabe no meu corpo. É terrível.

Sempre tive o intestino solto, porém, ao contrário do que os artigos sobre gestação dizem, piorou. Dependendo da minha alimentação, penso até que tenho a síndrome do intestino irritável ou alguma bactéria, sei lá.

Ficar com fome me dá enjôo e dor, muito mais do que antes. Fico com tontura, dor de cabeça e irritada. E aí eu como e passo mal, kkkkk.

Esse é o começo de uma gestação que, segundo me falam, está tranquila. Não sei se é por que eu evito reclamar e tento levar tudo numa boa, mas realmente acho que era para ser pior.

Bora esperar as novas mudanças.